ENTREVISTA COM MARCOS PIANGERS: COISAS QUE SÓ VOCÊ PODE FAZER, NÃO ARREPENDIMENTOS E A VONTADE GENUÍNA DE IMPACTAR PESSOAS

Entrevista com Marcos Piangers

Todo mundo possui pelo menos uma ideia que merece ser compartilhada.

Quando uma pessoa se abre e compartilha sua própria autenticidade, de forma humana e despretenciosa, existem sempre 2 riscos presentes.

O primeiro é que caçoem dela. Exatamente o que aqueles que não entendem a sua mensagem farão.

O segundo risco é que essa pessoa encontre gente que se identifique, e muitas vezes até se sensibilize, pelo que ela tem a dizer.

Quantas vezes já provocaram este sentimento em você?

Quantos seres humanos, normais como nós, já estiveram diante de ti e fizeram com que se emocionasse – muitas vezes, sem que entendesse muito bem por quê estava prestes a chorar?

Marcos Piangers é uma dessas pessoas, que parecem ser envolventes assim.

Assistindo a algumas TED Talks, que são palestras ministradas justamente sob o tema “Ideias que merecem ser compartilhadas”, deparei-me com o Marcos.

O título chamou minha atenção, pois apresentava uma ideia diferente daquela à qual estou acostumado.

Afinal, sempre falei aqui no blog sobre “o que eu preciso e é melhor para MIM?”

Embora o tema central deste vídeo seja a paternidade e eu nem esteja pensando em ter filhos no momento, fui profundamente tocado por ele.

Como já disse:

  • Pela autenticidade;
  • Pela forma humana;
  • Pela despretenciosidade;
  • Pelo desejo genuíno de compartilhar.

Quase que de imediato, encontrei um e-mail na internet por meio do qual eu pudesse convidar o Marcos a vir aqui falar sobre esses tópicos com você.

Eis que ele topou, de cara!

DICA DE VIDA: nunca coloque suposições na frente de suas tentativas. Se você tentar, pode receber um “sim”! Pois o “não”, já temos.

Espero que você realmente curta e saia daqui disposto a ser mais você mesmo, sem arrependimentos e disposto a fazer a diferença na vida de outras pessoas também :)

Segue o áudio com as respostas do Marcos e a transcrição delas logo abaixo:

 

QUEM É MARCOS PIANGERS?

MP: Meu nome completo é, na verdade, Marcos Daniel Piangers Barros. Sou filho de uma nutricionista, Heloísa Piangers, que se mudou de Novo Hamburgo, no interior do Rio Grande do Sul, para morar em Florianópolis, em Santa Catarina, e lá me teve.

Cresci, formei na Universidade Federal de Santa Catarina em Jornalismo e conheci minha esposa também em Florianópolis.

Tivemos nossa primeira filha lá, a Anita.

Depois, mudamos para Porto Alegre, onde vivemos por dez anos.

Nessa época, trabalhei com rádio, televisão, internet e, em 2015, lancei um livro chamado “O Papai É Pop”, que fala sobre a vida em família.

Foi um livro super bem recebido, que acabou se tornando uma espécie de missão para falar sobre paternidade.

 

EXISTEM REALIZAÇÕES QUE COMEÇAM DE FORMA DESPRETENCIOSA E GANHAM PROPORÇÕES GIGANTESCAS COM O TEMPO…

COMO SEU SENTIMENTO EM RELAÇÃO AO TRABALHO COM O TEMA DA PATERNIDADE FOI SE DESENVOLVENDO?

MP: Com certeza, essa situação foi o caso do meu livro, viu, Matheus?

Para mim, foi sempre muito natural.

Cuidei da minha filha, troquei fralda, dei banho e botei pra dormir… mas claro que, com o tempo, a paternidade fica mais sofisticada.

Você começa a descobrir nuances em que poderia melhorar muito. Trocar fraldas, por exemplo, se torna muito básico. É preciso mais do que isso.

Você precisa estar todos os dias preparado para situações que vêm pela frente. Então, sem dúvidas, eu aprendo todos os dias.

Minhas filhas me ajudam a me tornar um homem mais sensível. Minha mãe e minha esposa sempre me ensinam a respeito da paternidade, porque eu não tive referência.

Eu não tive pai e, evidentemente, erro muito.

Acho que todo mundo erra, mas ter um pai presente, que serve de referência, auxílio e guia ajuda qualquer pessoa a ser um pai melhor.

>> Clique aqui para conferir a entrevista feita com a Mila Nascimento e descubra como o seu pai a influenciou em toda uma mudança de vida!

 

MUITAS PESSOAS BUSCAM UM PROPÓSITO DE VIDA LIGADO AO SEU TRABALHO, PORQUE ACREDITAM QUE, DESTA FORMA, PODEM FAZER A DIFERENÇA NA VIDA DE OUTRAS PESSOAS.

COMO VOCÊ ENXERGA O EQUILÍBRIO ENTRE O AMOR AO PRÓXIMO, QUE MAL CONHECEMOS, E O AMOR EM RELAÇÃO À NOSSA FAMÍLIA?

MP: Existem muitos outros arquitetos, muitos outros médicos, muitos outros advogados, muitos outros atores, muitos outros jornalistas no mundo…

Só existe uma pessoa que pode ser pai da sua família, seja lá que profissional você for. Entende?

São poucas coisas no mundo que só você pode fazer.

A missão do livro, por exemplo, foi uma missão que me foi “dada”: o livro fez sucesso, começaram a me procurar para falar sobre paternidade e aqui estou eu falando sobre.

Se aparecer uma outra pessoa, vou ficar muito feliz.

Se aparecerem mais 200 pessoas, vou ficar mais feliz ainda. E, se esse assunto for um “não-assunto” no futuro porque todo pai é participativo, que bom que a gente evoluiu como sociedade para ter resolvido essa questão!

As pessoas precisam entender se não é meio que uma desculpa estar fazendo hora-extra à noite, passando tempo demais afastado da família…

Se não é algo que, no nosso íntimo, a gente diz:

“Isso é importante para minha profissão, para eu conseguir pagar as contas. Sair com meus amigos é importante para criar networking.”

Eu falava muito isso!

Eu tenho todas essas desculpas na minha manga, mas, com o tempo você percebe que é uma mentira que você está contando para você mesmo.

Essa é a reflexão que a gente tem que fazer.

É óbvio que existe o equilíbrio entre família e trabalho. E é óbvio que a sua família é mais importante que o seu trabalho.

Desculpa, Steve Jobs. Desculpem, grandes políticos, realizadores, empreendedores, esportistas. A sua família vai estar lá com você no final.

“Ah, mas é só um período de tempo.”

Que bom! Que seja mesmo!

Acho que são reflexões que não posso ter pelas pessoas, mas que já tive por mim mesmo e, enquanto falo aqui, lembro de todas as desculpas e mentiras que eu contei para as pessoas que me rodeavam.

Portanto, o desafio é justamente entender se é uma desculpa ou se aquilo em que a gente acredita é fato.

 

MUITAS PESSOAS USAM AS NECESSIDADES FINANCEIRAS COMO MOTIVO PARA SACRIFICAR O TEMPO QUE PASSAM COM SUAS FAMÍLIAS.

QUAL É O SIGNIFICADO DE DINHEIRO PARA VOCÊ?

MP: O dinheiro é, antes de tudo, um bem renovável. A gente esquece que, se perder todo o dinheiro, vai trabalhar e, de alguma forma, conseguir mais.

Diferentemente do tempo, que não é renovável e ganha cada vez mais valor.

Ou seja, às vezes, focamos muito mais no dinheiro e esquecemos que o tempo tem muito mais a ver com a nossa felicidade, realização e não arrependimento nos últimos dias.

Quando perguntadas no que se arrependem na vida, as pessoas não falam:

“Eu queria ter trabalhado mais e juntado mais dinheiro.”

Pelo contrário!

Elas falam o seguinte (mesmo aquelas muito pobres, que não têm dinheiro):

“Devia ter valorizado mais a minha mulher e passado mais tempo com os meus filhos e com os meus pais. Não devia ter me separado, ido para o bar beber ou feito reunião até meia-noite.”

Esses arrependimentos impactam a nossa vida e, quanto antes você perceber eles, melhor. Assim, você entende algo que é fundamental:

Você deve usar o dinheiro para viver, e não viver para usar o dinheiro.

 

SEU ALCANCE COM OS LIVROS FOI MUITO GRANDE.

QUAIS PASSOS VOCÊ SUGERIRIA PARA AS PESSOAS SEGUIREM, CASO ELAS SINTAM TER UMA MENSAGEM A COMPARTILHAR?

MP: Em primeiro lugar, deve ser super de verdade, exatamente aquilo que você sente. Deve ser primeiro um processo de entendimento de quem você é para, depois, poder falar para os outros.

Precisa ser também desprendido de interesse. Quando você fala uma coisa para pedir algo em troca, isso fica meio evidente para as pessoas.

Quanto mais você falar e, genuinamente, não quiser nada em troca – nada!

“Nem view, curtida, compartilhamento, assinatura de canal ou dinheiro!”

Quando você estiver falando aquilo só porquê você acha que pode ajudar outras pessoas, sua mensagem acaba alcançando uma audiência.

 

COMO FOI O PROCESSO DE CRIAÇÃO E LANÇAMENTO DE SEUS LIVROS?

MP: Bom, primeiro eu comecei a escrever textos aleatórios que, em 2013, foram para o jornal. Depois, foram conquistando um público e, em 2014, me ligaram para publicar como livro.

Publicamos o “O Papai É Pop 1”. No ano seguinte, achamos natural lançar o 2 e, juntamente, minha esposa escreveu “A Mamãe É Rock”.

Acho justíssimo o lado dela ser levado em consideração. Segundo a minha mãe, o livro dela ainda é melhor do que o meu!

Vendeu muito bem, ficando em segundo lugar entre os mais vendidos do Brasil todo. Foi, realmente, um livro fantástico.

 

OBRIGADO, MARCOS! FIQUE À VONTADE PARA DEIXAR SUA MENSAGEM FINAL ÀS PESSOAS QUE ESTÃO LENDO ESTA ENTREVISTA :)

MP: Obrigado e muito sucesso!

Desejo realizações e felicidades para você, Matheus, e para quem tiver nos acompanhado aqui.

Um grande abraço!

 

CONCLUSÃO

Quem acompanha as publicações aqui do blog sabe que falamos muito sobre “não se arrepender”. Isso tem muito a ver com ser fiel a quem você é de verdade :)

Esta entrevista trouxe uma outra perspectiva a respeito disso, tocando na ideia dos “papéis que somente você pode desempenhar na vida”.

Se nunca passou algo assim antes pela sua cabeça, deixe seu comentário!

Conta um pouco sobre quem é você, o que identificou de semelhante entre essa entrevista e a sua própria história. Vou adorar saber!

Matheus Felter

Cirurgião-dentista. Clínico-geral. Mestrando em Clínica Odontológica.

Website: http://matheusfelter.com.br